‘O Cinema da Poesia’ de Rosa Maria Martelo

APRESENTAÇÃO LIVRO

Conversas / Masterclasses

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O que pode haver de comum entre duas artes aparentemente tão diferentes quanto a poesia e o cinema? No início do século XX, alguns poetas e cineastas defenderam ser muitíssimo o que as aproximava. Pense-se em Guillaume Apollinaire e Jean Epstein, por exemplo. Embora em sentidos diferentes, poesia e cinema trabalham com imagens. E podem partilhar ideias de montagem, ou a capacidade de expor a “fotogenia” e o movimento do mundo. Ou a de exprimirem através da imagem a nossa experiência do tempo. Talvez tudo tenha começado com Rimbaud, que entendia a poesia como visão alucinada, possibilidade filmofânica, uma espécie de visão descentrada e livre. “O cinema extrai da pintura a acção latente de deslocação, de percurso. Tome-se um poema: não há diferença”, escreverá Herberto Helder na década de 70. Há, naturalmente, diferenças, e muitas, desde logo porque não há um cinema, tal como não há uma poesia. Mas as afinidades existem, e podemos falar delas.

seg20 jul 16h República14