Campo Tiago Hespanha e Luísa Homem

Conversas / Masterclasses

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No filme Campo, que apresento no FICLO, parti da exploração de um lugar extremo, onde a guerra é simulada mas a vida é real. Aproximei-me dos homens e dos animais que ali habitam e encontrei excitação, obsessão, curiosidade mas também rotina e aborrecimento. Percebi então que este Campo tinha para mim tanto de real como de imaginário. A minha experiência ali apontava sempre para a transcendência do mundo e da vida, maiores que este lugar. Isso levou-me a procurar histórias que contivessem sinais do que somos, de como nos vemos e como entendemos o mundo. Estas são histórias que vão desde a mitologia à exploração do espaço. Juntando estes elementos tentei agarrar a matéria e a energia que nos definem, aproximar-me dos corpos e da respiração, pensei no génio e na fragilidade, no que nos torna únicos e insignificantes ao mesmo tempo. Campo é um filme em que aponto para o efémero, o grandioso e o absurdo que definem a nossa vida neste planeta.

À proposta do FICLO para falar do meu trabalho a partir do Campo achei que o melhor seria propor uma ‘viagem selvagem’ pelos bastidores do filme: partilhar histórias, episódios, as ideias que estiveram na origem das cenas, referências de outros filmes que me serviram de inspiração, mostrar excertos e deixar que as curiosidades que o filme suscite apontem caminho para uma conversa intuitiva em que certamente criaremos um novo campo.